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QUANDO PROCURAR UM ORTOPEDISTA?


Mas quando devo recorrer à cirurgia?

Essa pergunta não deve ser respondida exclusivamente por um médico. O próprio paciente sabe o limite da dor, da falta de movimentos e o quanto isso o está prejudicando no dia a dia. É o depoimento do paciente, aliado à avaliação rigorosa de um ortopedista que atestará se não há nenhuma outra medida viável além da intervenção cirúrgica.

As doenças

– Artrite de quadril

A região que sustenta o peso do nosso corpo é uma grande vítima de doenças degenerativas. Os quadris (sim, temos o esquerdo e o direito) são impactados por má formações ou acidentes que comprometem a qualidade do funcionamento das articulações dessa região (fêmur + bacia). Pacientes com quadros de artrite inflamatória (inflamação) sentem dores fortes na virilha, coxa exterior e nas nádegas. Essa dor costuma aumentar de manhã e à noite.

– Bursite do quadril

Bursite do quadril é um problema comum que causa dor na face lateral da coxa, afetando grande número da população com dor no quadril. A bursa é uma bolsa que contém um fluido, e que facilita o movimento entre duas superfícies. No quadril está localizada entre a proeminência óssea do grande trocânter e um firme tendão que passa sobre o osso. Quando inflamada, o movimento do tendão sobre a superfície óssea causa dor. Como os pacientes com bursite movem o tendão a cada passo, a bursite pode ser muito dolorosa. O diagnóstico é realizado, na maioria das vezes, com o exame físico adequado, que inclui edema e dor à palpação sobre a face lateral da coxa. O exame radiográfico é frequentemente solicitado para descartar calcificação sobre a bursa, que acaba por agravar a dor. Também poderá ser solicitada a ressonância magnética, caso o diagnóstico não esteja claro ou a dor não seja resolvida com tratamento conservador.
As causas associadas são diferentes nos tipos de pacientes:

– Atletas: principalmente em corredores ou atividades esportivas que possua corrida, como futebol e basquete.
– Trauma: traumas locais sobre a face lateral da coxa, especificamente sobre a bursa trocantérica, podem acarretar bursite traumática.
– Pós-operatória: casos de fraturas do quadril e após artroplastias do quadril podem apresentar bursite.
Outras doenças do quadril podem simular a bursite, como tendinopatias dos músculos do quadril, meralgia parestésica, lesões do lábrum ou labrum, entre outras. O tratamento é realizado com terapia medicamentosa, associado à fisioterapia.

– Fraturas do fêmur proximal

Ocorrem principalmente em idosos e podem causar sérias consequências, como limitar as atividades diárias, aumentar a dependência ou desenvolver limitações levando à morte.

A prevenção da fratura do quadril é a melhor forma de evitar tais complicações. Para isso, é preciso controlar a osteoporose, fazer o fortalecimento muscular por meio de atividade física e ter controle domiciliar retirando tapetes e colocando corrimão em banheiros e outros locais, tudo para evitar quedas que levarão à fratura. As fraturas do quadril se dividem em fraturas do colo do fêmur e em fraturas da região trocanteriana. A maioria ocorre por queda. Porém, quando a osteoporose ou outra patologia tornam o osso fraco, a fratura poderá ocorrer com estresse pequeno, como após girar o corpo ou levantar-se da cadeira. As fraturas do fêmur proximal causam dor, limitação da mobilidade e dificuldade ou incapacidade em andar, dependendo aqui do deslocamento da fratura. O diagnóstico é confirmado com raios-X e, se necessário, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Após a fratura do colo do fêmur, a artrose do quadril poderá se desenvolver devido à lesão da circulação à cabeça do fêmur. Sem uma boa circulação ocorrerá o colapso levando à dor e outros sintomas característicos da artrose do quadril. O tratamento tem que ser cirúrgico para que o paciente tenha o alívio da dor e retorne a ficar sentado o mais rápido possível, evitando assim complicações como escaras, tromboses e pneumonia. O tipo de cirurgia depende do tipo da fratura e do grau de atividade do paciente, mas podem ser:

– Fixação da fratura com parafusos;
– Fixação da fratura com placa e parafusos;
– Artroplastia total do quadril;
– Artroplastia parcial do quadril.

Para as fraturas transtrocanterianas podem ser realizadas:
– Fixação da fratura com placa e parafusos;
– Fixação com haste intramedular e parafusos.

Após a cirurgia, a reabilitação é iniciada tão logo seja possível, ainda no hospital.

– Fraturas do acetábulo

O acetábulo faz parte da articulação do quadril, fazendo parte da pelve, sendo coberto por cartilagem articular que irá formar a superfície articular. A fratura ocorre quando o soquete é quebrado, sendo que as fraturas acetabulares são mais raras que as fraturas do fêmur proximal (bola do fêmur). Elas podem ocorrer por traumas de grande energia, como acidentes automobilísticos, queda de altura (sendo estas as causas mais frequentes em jovens), e osteoporose (no caso dos idosos). O tratamento da fratura depende da idade do paciente e da extensão do deslocamento e instabilidade do quadril. Em pacientes idosos, devido à dificuldade técnica em fixação da fratura em um osso osteoporótico, poderá estar indicado o tratamento conservador, proibindo a descarga de peso no lado afetado, até que ocorra a consolidação da fratura. Cirurgia é recomendada para:

– Realinhar a superfície articular;
– Remover corpo estranho da articulação do quadril;
– Restaurar a estabilidade da articulação do quadril;

As principais complicações da fratura do acetábulo ocorrem a médio e longo prazos, quando após a fratura pode haver artrose do quadril, osteonecrose do quadril ou calcificação heterotópica. O tratamento para o alívio da dor se faz com a cirurgia de artoplastia do quadril, que devolverá a movimentação e o retorno às atividades do paciente.

– Lesão do labrum acetabular

O labrum acetabular é uma estrutura fibrocartilaginosa, que reveste toda a cavidade acetabular, tendo como função manter a pressão hidrostática intra-articular e ajudar na distribuição do líquido sinovial do quadril. A lesão ocorre devido a uma alteração anatômica do fêmur, do acetábulo ou de ambos, que pode mudar a relação normal entre a articulação e causar o impacto entre ambos durante os movimentos normais do quadril, principalmente a flexão e a rotação interna, ocasionando não somente a lesão labral, mas também a lesão da cartilagem acetabular, sendo um fator predisponente desencadeador da artrose do quadril. Existem dois tipos de impacto femuro acetabular, o tipo PINCER e o tipo CAM. O primeiro é mais comum em mulheres, apresentando o mesmo quadro clínico de dor. Já o tipo CAM é mais comum em homens, manifestando dor na região inguinal e nádegas, que piora com o esforço ou a longa permanência na posição sentada. O diagnóstico é feito após minucioso exame físico e confirmado com exames de imagem, como o raios-x e artroressonância magnética. O tratamento visa corrigir a anormalidade óssea causadora do impacto, podendo ser a cirurgia realizada por via aberta ou artroscópica.
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Artrose de Quadril

Pacientes com artrose de quadril queixam-se principalmente de dor localizada e contínua na região do quadril acometido pela doença, podendo se irradiar para o joelho e face interna da coxa.

Dr. Rodrigo Monari - Ortopedista e Traumatogista | 2017